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Exposição: Expressões

Ensaio fotográfico | 2018

Um ensaio sobre a expressão dos afetos materializados no corpo.

Através da escuta musical como disparador poético, o projeto investiga o processo de passagem da emoção à forma, tensionando os limites entre sentir, expressar e representar.

Proposição poética

A exposição “Expressões” nasce da inquietação e do desejo da autora, Fernanda Targa Borges, em investigar a possibilidade de ruptura com o modo automático de vida cotidiano, no qual frequentemente nos deparamos com a apatia e com a sensação de vazio que nos atravessa.

A exposição incita reflexões sobre o sentido que estamos atribuindo aos nossos dias, às nossas escolhas e à nossa existência, propondo um deslocamento em direção à experiência sensível como via de produção de significado. Nesse contexto, a construção de sentido no cotidiano é compreendida não como algo dado, mas como um processo que se constitui na relação com o corpo, com os afetos e com a própria experiência de estar no mundo.

Trata-se, assim, de um movimento de reconexão com a dimensão do sensível, implicando a ampliação da consciência de si, da própria existência e do corpo, frequentemente negligenciado na rotina. Esse deslocamento convoca o contato com emoções, sensações, lembranças e afetos, configurando-se como uma via de acesso à dimensão subjetiva e à possibilidade de abertura a outras formas de percepção.

A sequência fotográfica apresenta-se como um campo de investigação desse processo, aproximando-se da compreensão da experiência estética como experiência epistêmica, na medida em que evidencia a importância de nos permitirmos atravessar e expressar a totalidade dos afetos. Nesse sentido, as imagens revelam não apenas estados emocionais, mas a própria dinâmica de constituição da subjetividade, em sua dimensão sensível, vulnerável e relacional.

Na realização desta série, a autora convida a participante Janaína Fernanda Coelho a vivenciar uma experiência sensível mediada pela escuta musical. As composições, que transitam entre registros introspectivos, ao abordarem temáticas da vida e seus ciclos, e registros mais performáticos, atuam como dispositivos disparadores de afetos. A partir dessa proposição, a participante é convocada a expressar-se por meio do corpo, dando passagem às sensações e aos afetos evocados.

Ficha técnica

Artista: Fernanda Targa Borges.
Modalidade: Ensaio fotográfico.
Ano: 2018.
Local: Centro Cultural Eliziário Rangel, Serra/ES.
Participação: Janaina Fernanda Coelho

A exposição “Expressões” fez parte do Projeto Cores no Branco promovido pelo Centro Cultural Eliziário Rangel e esteve em cartaz por aproximadamente 2 meses, no período de 09 de junho de 2018 à 30 de julho de 2018.

Galeria de imagens
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Relato da participante

“Quando a Fernanda me convidou para fazer o ensaio, eu adorei e aceitei de prontidão. Registrar minhas expressões disparadas por músicas. Ou seria registrar minha capacidade de expressão? Da minha parte, havia excitação e receio ao mesmo tempo. As perguntas que eu me fazia tinham uma mesma questão: será que conseguirei dar passagem sem torcer ou distorcer minhas expressões?

Não foi fácil nem difícil. Foi um exercício incomum. Esforcei-me para não deixar escapar o afeto que vinha. Se o afeto que a música disparasse desencadeasse no sentimento “raiva”, eu não tentava que virasse outra coisa. E foi assim com todos os afetos que viraram sentimentos.

Com o que me deparei: com a não facilidade em dar passagem à emoção, aos afetos. Com a não facilidade em levar para o rosto e gestos a forma da expressão. Sentir as emoções e os sentimentos não foi uma dificuldade, árduo mesmo foi desmanchar a musculatura do dia a dia para formar a expressão tal como ela é. Sem torções, exageros ou impedimentos. E, insisto, a dificuldade foi muscular. E o que eu percebi incidindo sobre os músculos da face e mesmo do corpo inteiro? A moral, as expectativas, o automatismo, tudo isso em forma de espasmos.

Expressar, não é interpretar. É colocar para fora sobre a pressão, neste caso, dos afetos. O afeto pressiona naturalmente para manifestar-se, mas, será que damos a passagem para que ele se faça? Sem diminuí-lo ou exagerá-lo? De modo que a expressão nos potencialize e não somente nos alivie? É o que a sessão de fotos me fez refletir”.

Por Janaina Fernanda Coelho.

Abertura da exposição
Abertura Exposição Expressões 02
Abertura Exposição Expressões 01
Abertura Exposição Expressões
Abertura Exposição Expressões 03
Abertura Exposição Expressões 07
Abertura Exposição Expressões 06
Abertura Exposição Expressões 05
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